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# Flock Safety: CEO chamado de ameaça e a capa de impressão 3D
- URL: https://flateek.com/flock-safety-ceo-ameaca-flock-sock-impressao-3d/
- Published: 2026-08-20T15:00:05.000Z
- Updated: 2026-08-20T15:00:05.000Z
- Description: Comissário do Tennessee classifica CEO da Flock Safety como ameaça à privacidade. Ao mesmo tempo, um entusiasta de impressão 3D compartilhou um design para cegar as câmeras da empresa.
- Author: Flaviano Rodriges
- Tags: Privacidade, Segurança, Redes, SysAdmin

Se você acompanha o Flateek, já conhece bem a Flock Safety. Nos últimos meses, cobrimos o [plano da empresa de instalar câmeras em 350.000 carros de Uber e Lyft](https://flateek.com/uber-flock-cameras-vigilancia-privacidade/), o caso em que a Flock [reativou câmeras em uma cidade sem pedir autorização](https://flateek.com/uber-flock-cameras-vigilancia-privacidade/) e a revelação de que [o governo americano passou a monitorar perfis online que criticavam a empresa](https://flateek.com/governo-monitora-perfis-criticas-cameras-flock/).

Na semana passada, o nível de reação pública subiu mais um degrau: um comissário de condado no Tennessee classificou o CEO da Flock Safety como uma ameaça à comunidade. E, na mesma semana, um entusiasta de impressão 3D publicou o design de uma capa chamada "Flock Sock", criada para ser encaixada sobre as câmeras da empresa e bloquear o campo de visão delas.

São dois eventos muito diferentes, mas que juntos revelam o ponto em que chegou a resistência pública à empresa.

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## O que disse o comissário do Tennessee?

Em uma reunião do governo do condado de Sullivan, no Tennessee, o comissário local não poupou palavras ao se referir ao CEO da Flock Safety. A declaração, que circulou no r/technology com mais de 16 mil upvotes, classificou o executivo como uma ameaça direta à privacidade dos cidadãos da região.

O que torna essa crítica notável é o contexto político de onde ela vem. O Tennessee é um estado conservador, e a resistência à Flock Safety nesse caso não vem de grupos progressistas preocupados com vigilância digital, mas de autoridades locais de orientação conservadora que veem o sistema de monitoramento em massa como um risco ao direito individual à privacidade.

Esse ponto é importante: a oposição à Flock Safety começou a unir pessoas de espectros políticos bem diferentes, o que indica que a preocupação com vigilância automatizada sem regulamentação está deixando de ser um nicho e virando um debate mais amplo.

O comissário de Sullivan não foi o primeiro. Outros estados e municípios nos Estados Unidos têm questionado contratos com a Flock Safety, especialmente após os casos de reativação de câmeras sem autorização que vieram a público.

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## O que é o "Flock Sock" e como funciona?

Do outro lado do espectro de resposta, um entusiasta de impressão 3D publicou na semana passada o design de uma peça que chamou de "Flock Sock" (algo como "capa para câmera Flock" em tradução livre).

O design é uma capa que se encaixa diretamente sobre a câmera da Flock Safety, bloqueando completamente o campo de visão. A peça foi projetada para ser conectada à ponta de um cabo de vassoura comum, o que permite que qualquer pessoa alcance os dispositivos instalados em semáforos e postes de iluminação, que geralmente ficam a 3 ou 4 metros de altura.

O designer compartilhou o arquivo de impressão de forma aberta e gratuita, sem restrições de uso. A legalidade de colocar um Flock Sock em uma câmera instalada em espaço público varia de acordo com a jurisdição, e obstruir equipamentos públicos pode ser enquadrado como vandalismo em muitos lugares. O designer deixou claro que compartilha o design como declaração política e artística, não necessariamente como incentivo direto ao uso.

Do ponto de vista técnico, a impressão 3D em filamento PLA ou PETG seria suficiente para produzir a peça. O design foi elogiado pela comunidade pela praticidade e pela precisão de encaixe.

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## O padrão da Flock Safety

Para quem está chegando agora nessa série, um resumo do que cobrimos sobre a empresa até hoje:

A Flock Safety foi fundada em 2017 e se especializou em câmeras de leitura automática de placas veiculares (ALPR, na sigla em inglês) para condomínios, empresas e, principalmente, departamentos de polícia. O modelo de negócio é baseado em contratos com municípios: a empresa instala as câmeras, mantém a infraestrutura e cobra mensalidade pelo acesso ao banco de dados de placas.

O que a diferencia de câmeras de segurança convencionais é a escala e a interconexão. As câmeras da Flock não apenas gravam: elas leem automaticamente cada placa que passa pelo campo de visão, registram hora, data e localização, e alimentam um banco de dados consultável por qualquer departamento de polícia que tenha acesso ao sistema, não apenas o da cidade onde a câmera está instalada.

Em uma cidade com contratos Flock espalhados por vários pontos, é possível reconstruir o trajeto de um veículo específico ao longo de dias ou semanas, cruzando os registros de diferentes câmeras. Para veículos suspeitos, isso é uma ferramenta de investigação. Para qualquer outro motorista, é um histórico de deslocamento que ele nunca autorizou ser criado.

O caso que escalou para o nível político foi a reativação remota de câmeras em Littleton, no Colorado, sem comunicação ou autorização da administração municipal. Quando o hardware é de propriedade de uma empresa privada e controlado remotamente por ela, a cidade que o contrata não tem controle real sobre o que o dispositivo faz. Esse ponto tem sido central no debate nos últimos meses.

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## Por que isso importa para além dos Estados Unidos?

Sistemas de câmeras com leitura automática de placas já existem no Brasil, operados tanto por empresas privadas quanto por autoridades municipais e estaduais em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A tecnologia em si não é exclusiva da Flock Safety, mas os princípios do debate americano se aplicam diretamente.

As questões centrais são as mesmas em qualquer país:

Quem tem acesso ao banco de dados de placas e por quanto tempo ele é armazenado? Existe supervisão sobre quem pode consultar esses dados e para quais finalidades? O que acontece quando o contrato com a empresa privada termina? Os dados coletados durante o contrato são devolvidos, destruídos ou retidos pela empresa?

A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) brasileira estabelece obrigações sobre o tratamento de dados pessoais, e a placa de um veículo pode ser considerada um dado pessoal quando associada ao proprietário. Mas a fiscalização efetiva do uso desses dados por empresas privadas e pelos órgãos públicos que as contratam ainda é incipiente no Brasil.

O caso Flock Safety serve como um aviso de onde esse modelo pode chegar quando não existe supervisão robusta: câmeras que retornam sozinhas, bancos de dados compartilhados além do escopo contratado e uma empresa com mais informações sobre os deslocamentos dos cidadãos do que as próprias prefeituras têm.

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## Fontes

- [r/technology - Comissário do Tennessee chama CEO da Flock Safety de ameaça](https://reddit.com/r/technology/comments/1vpkiyv/tennessee%5Fcounty%5Fcommissioner%5Fcalls%5Fflock%5Fceo%5Fan/?ref=flateek.com)
- [r/technology - Entusiasta cria "Flock Sock" para cegar câmeras e compartilha o design](https://reddit.com/r/technology/comments/1vpupzm/3dprinting%5Fenthusiast%5Fcreates%5Fflock%5Fsock%5Fto%5Fblind/?ref=flateek.com)

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